Porto Alegre terá mutirão de audiências sobre violência doméstica
Promotores de Justiça tentarão solucionar mais de 360 casos

Um mutirão agendado para a próxima semana em Porto Alegre tentará solucionar mais de 360 casos de violência doméstica. De acordo com o Ministério Público, dois promotores serão responsáveis pela acusação nos processos de pedidos de medidas protetivas de mulheres em risco na capital gaúcha.
As audiências serão realizadas entre 30 de novembro e 4 de dezembro, dentro da Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa.
MARCAS DA VIOLÊNCIA
os números da violência
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"Ainda há muito preconceito em relação a essa temática, de que não se deve meter a colher, mas a gente entende que sim; a violência das ruas é um retrato de uma sociedade machista, em que o homem não respeita a mulher, age com violência psicológica, moral e física contra ela, e os filhos irão reproduzir essa violência de forma espiral", diz o promotor Marcelo Ries.
Na série especial de reportagens Marcas da Violência, publicada desde segunda-feira (23) pelo G1 RS, mostra os altos números de agressões contra mulheres. Neste ano, o Poder Judiciário registrou mais de 58 mil solicitações de medidas protetivas em todo o estado até outubro.
Dados do Observatório da Violência Contra a Mulher, divulgado pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, 40 mulheres foram mortas no primeiro semestre de 2015. Em 66% dos casos, a morte ocorreu por motivos que envolviam sentimentos de posse, 76% morreram dentro de suas casas, 75% foram assassinadas pelo ex ou atual companheiro, 65% já tinham registrado ocorrência contra o agressor e 17,5% estavam sob medida protetiva.
Outras 173 mulheres, de acordo com o relatório, sofreram tentativas de homicídio. Dessas, duas não resistiram aos ferimentos e morreram mesmo após atendimento médico.
No mesmo período, foram registradas 22.582 ocorrências de ameaça, 12.790 lesões corporais e 274 estupros.