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Estudantes haitianos ganham reforço escolar de português nas férias no RS

Projeto é desenvolvido em sete escolas da rede municipal.

Estudantes haitianos ganham reforço escolar de português nas férias no RS

Na região de Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, alguns alunos estão indo para a escola mesmo no período de férias. Um projeto na cidade desenvolve atividades de português voltadas para os filhos de imigrantes haitianos, que muitas vezes têm na língua uma barreira a mais para a adaptação ao Brasil.

São cerca de 200 estudantes haitianos que integram o reforço escolar da rede municipal. Em uma das atividades, eles participam de um jogo de palavras no qual têm de encontrar um nome, uma cor ou uma comida a partir de determinada letra.

O objetivo é que os jovens imigrantes aprendam mais sobre a língua portuguesa, que possui regras distintas do francês e do crioulo, os idiomas oficiais do Haiti.

Kendof está há um ano e meio no Brasil (Foto: Reprodução/RBS TV)
Kendof está há um ano e meio no Brasil

Ernst Jules, de 10 anos, está há dois no Brasil e ainda se confunde com algumas letras. “Eu tenho muita dificuldade. Troco o ‘J’ pelo ‘G’”, conta. Kendof Fervil, de 12, está há um pouco menos tempo que Ernst no país, mas já fala bem o português. "Eu vou sair com mais palavras, que eu não conheço. Dá pra sair da escola, visitar outra coisa. É muito legal”, entusiasma-se o garoto. 

O projeto é desenvolvido em sete instituições de ensino de Caxias do Sul e envolve estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Além do português, há o reforço de matemática e também atividades de artes e educação física.

A proposta deixa os alunos mais à vontade na escola e na comunidade. “Essa consolidação da língua portuguesa com essas atividades são muito enriquecedoras. Tanto para eles quanto para as famílias, que eles vão poder auxiliar de uma maneira mais efetiva”, afirma Andréia de Souza, assessora pedagógica da secretaria de educação da cidade.

As atividades, desenvolvidas na época das férias, estão quase acabando. No final, todos saem ganhando, tanto quem aprende quanto quem ensina. A professora Deise Coelli, por exemplo diz que também descobre coisas novas com seus alunos “Tá sendo muito valioso para mim. Não só para minha vida profissional, mas pessoal também. Aprender com eles, uma nova cultura. Espero que eles saiam daqui melhores. Eu vou sair ainda mais”, finaliza a docente.