Cortes de verbas ameaçam construção da nova ponte do Guaíba
Cortes de verbas ameaçam construção da nova ponte do Guaiba

A falta de recursos federais para obras de infraestrutura em 2016 traz ameaça de mais paralisações no Estado. Além das já estagnadas duplicações das BRs 116, 290 e 386, os trabalhos para a construção da nova ponte do Guaíba correm o risco de ter o andamento interrompido na metade deste ano. Sem receber os valores das faturas de setembro e outubro de 2015, empreiteiros responsáveis por esses projetos estão com dificuldade para manter os canteiros, inviabilizando os prazos previstos nos contratos.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas do RS (Sicepot), Ricardo Portella, o governo federal deverá destinar R$ 1 bilhão neste mês para quitar parcelas em atraso de obras em todo país. Para o dirigente, o valor previsto para a ponte do Guaíba neste ano é insuficiente:
— Em 2016, a construção da nova ponte deve ser interrompida completamente.
O recurso previsto no orçamento é muito escasso.
Segundo o presidente do Sicepot, seriam necessários R$ 200 milhões em recursos para a continuidade dos trabalhos. O orçamento da União aprovado no Senado prevê repasse de R$ 112,7 milhões para o andamento das obras da ponte em 2016. Para piorar, o montante, já considerado deficitário, não está mais garantido. De acordo com Portella, logo depois da aprovação do texto, o governo entrou em contato com as empreiteiras e informou que, para adequar os gastos, apenas R$ 65 milhões seriam repassados.
Os valores estão sujeitos a alterações porque o orçamento de 2016 ainda não está fechado. Para tentar cumprir a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida) de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo deve anunciar até o dia 23 de março novas tesouradas, principalmente em investimentos.
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Além do dinheiro escasso, o preço do asfalto disparou desde 2014, criando defasagem de 20% em relação à indexação contratual pela Associação Nacional do Petróleo (ANP).
Outro problema que cerca o canteiro localizado na zona norte de Porto Alegre são os cortes na mão de obra. Conforme o presidente do Movimento Ponte do Guaíba, Luiz Domingues, a falta de verba foi o motivo alegado para o consórcio Ponte do Guaíba demitir 200 funcionários em novembro.
Atualmente, menos da metade dos trabalhadores necessários, cerca de 150, atuam na construção. Domingues concorda com a previsão de Portella sobre a paralisação total:
— Existe escassez de recursos previstos para as obras aqui do Estado. Automaticamente vai faltar dinheiro para a ponte. A obra vai parar até junho por falta de pagamento do governo federal.