Os ovos de Páscoa estão mais caros; veja dicas para economizar nos presentes
Na comparação de preços, veja quanto vale o quilo.

Em uma tendência que vem se consolidando há pelo menos quatro anos, o tradicional ovo de Páscoa não parece mais estar tão doce. Pelo menos, no que diz respeito às vendas em supermercados. Nesta edição da festividade, que será no dia 16 de abril, os líderes na preferência dos consumidores devem seguir perdendo espaço para barras, bombons, tabletes e outros doces. A previsão é de um estudo desenvolvido pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) junto a associados, que estima uma queda de 12% nas vendas dos ovos, na comparação com 2016. Já caixas de bombons devem ter um crescimento nas vendas de 3,6%, e os chocolates em barra e em tabletes, de 11,6%.
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De acordo com o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo, o principal motivo para esse comportamento do mercado é a perda do poder aquisitivo do consumidor, que está mais criterioso ao analisar o valor do produto. A reportagem percorreu duas redes de lojas para verificar a diferença de preços, e constatou que o quilo do ovo de chocolate chega a custar quase sete vezes mais do que o quilo de uma caixa de bombons.
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– Mas eu penso que não podemos avaliar assim, porque há todo um valor afetivo sobre o ovo de chocolate. Ele agrega valores de emoção, de comemoração. O varejo vai tentar compensar essa queda nas vendas agregando identidade a outros produtos, como chocolates em barra com embalagens promocionais de Páscoa, por exemplo – explica Longo.
Crise econômica
É o que acredita também o economista Victor Sant'Ana, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA). Para o especialista, o consumidor paga não somente pelo chocolate, mas pela experiência de presentear um ovo de Páscoa, que possui um valor agregado diferente por ser sazonal, por contar com decoração especial, além de brindes e brinquedos temáticos.
Em relação à expectativa de preços, as notícias não são boas para os consumidores. Se no ano passado houve um aumento de 16% nos preços dos chocolates, a previsão para este ano é de que os valores dos ovos subam 8,5%, as barras 7,3% e as caixas de bombons 10%.
– A busca maior por barras de chocolate e outros produtos que não os tradicionais ovos fazem com que a demanda aumente e, consequentemente, o preço também. Mas o varejo terá que avaliar essa elevação no valor pois, em um momento de crise, em que o poder aquisitivo do consumidor diminuiu, esta variação pode fazer o consumidor desistir da compra – pondera Sant'Ana.
Comparação dos preços de chocolates em bombons, barra e ovos*

Pesquisa realizada pela reportagem na manhã
de 16 de março, em duas redes
** Nos produtos pesquisados, as barras são de chocolate ao leite e os ovos não vêm com brinquedos
Solução é a criatividade
De acordo com o economista da CDL-POA, com a economia que se ensaia para uma recuperação, é provável que na festividade do ano que vem os números voltem a ser positivos para o mercado e para o consumidor. Enquanto isso, a principal dica para o quem vai comprar presentes de Páscoa é poupar no bolso, mas não na criatividade.
– Comprar barras de chocolate para fabricar bombons e ovos caseiros é uma economia, além de divertida, pois as crianças podem participar desse processo – recomenda Sant'Ana.
Já a nutricionista Ana Paula Bortoletto, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alerta para a necessidade de o consumidor ler a lista de ingredientes do chocolate que está comprando para avaliar a qualidade do produto:
– No caso dos chocolates e ovos de Páscoa, geralmente o açúcar é o primeiro ingrediente, indicando que o produto tem mais açúcar do que cacau, por exemplo. Isso deve ser evitado.
Reservar um tempo para pesquisar os valores e a qualidade dos produtos também é uma boa ideia. Em um momento de crise econômica, deixar as compras para a última hora para tentar economizar pode não ser o mais indicado, alerta o presidente da Agas, Antônio Cesa Longo:
– O consumidor tem cada vez menos tempo para se programar para estes eventos, e acaba deixando para comprar os produtos na véspera, já que os estabelecimentos ampliam os horários de atendimento. Mas essa não é uma boa ideia, já que nos últimos dias você nem sempre consegue comprar aquilo que deseja, só o que sobra. E isso será mais acentuado neste ano, pois a indústria diminuiu a produção, e temos uma menor disponibilidade de produtos.