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Justiça nega suspensão de reajuste do transporte coletivo em Porto Alegre

Justiça nega suspensão de reajuste do transporte coletivo.

Justiça nega suspensão de reajuste do transporte coletivo em Porto Alegre

Justiça do Rio Grande do Sul negou nesta quarta-feira (19) um pedido de integrantes do PSOL de suspensão do aumento da tarifa do transporte coletivo de Porto Alegre. No último dia 3, o preço da passagem subiu de R$ 3,75 para R$ 4,05 nos ônibus e de R$ 5,60 para R$ 6 nas lotações.

Vereadores e dirigentes do partido querem a revogação do aumento das passagens. Um dos motivos listados é que a inspeção especial do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que analisa a planilha tarifária do transporte, ainda não foi concluída. Outro questionamento dos parlamentares é a renovação da isenção do Imposto de Serviços Sobre Qualquer Natureza (ISSQN) por dois anos das empresas de ônibus.

A decisão é da juíza Cristina Luisa Marquesan da Silva, da 1ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre. Segundo o despacho, a tarifa foi definida por um cálculo que considera custos variáveis, como combustíveis e rodagem, e a legislação específica relativa à atualização e revisão da tarifa.

"Desse modo, não há como ser vinculado o preço da tarifa atualizada com o preço da passagem anterior, pois não é realizado o simples reajustamento sobre o valor anteriormente praticado. Há necessidade de se verificar os custos constantes das planilhas de cálculos que envolvem a questão global dos gastos", explica.

Cristina também negou um pedido de integrantes do PSOL que buscava ao menos a redução da tarifa em R$ 0,10, devido à manutenção da isenção de recolhimento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) por empresas de transporte. Para a magistrada, a medida evitou um reajuste ainda maior.

Um dos autores da ação, o deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) criticou a decisão. "Sabemos que esse aumento é ilegítimo, injusto e muito acima da inflação", afirmou.

O parlamentar acredita que a prorrogação da isenção do ISSQN não foi levada em conta na decisão de aumentar a tarifa. "Os empresários são isentos do ISS e cobram na tarifa. Eles ganham duas vezes", diz.

Ruas afirma que ingressará, junto com correligionários, com uma ação principal, enfatizando a isenção do ISSQN. Os integrantes do partido avaliam, também, recorrer ao Tribunal de Justiça com um agravo de instrumento.

 

Definição na Justiça em 2016

 

No ano passado, o reajuste foi decidido nos tribunais. O preço subiu de R$ 3,25 para R$ 3,75 em 22 de fevereiro. No entanto, dois dias depois, uma liminar da Justiça revogou o aumento, após uma ação movimentada pelo PSOL. O partido justificou que o Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu) não foi consultado para a elevação do valor.

O município e a EPTC entraram com recurso logo após a liminar que revogou o aumento, e não foram atendidos. Resolveram entrar mais uma vez na Justiça, e novamente não obtiveram sucesso. No dia 28 de março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu decisão judicial determinando o reajuste para R$ 3,75.

Na ação protocolada pelo Consórcio Sul - uma das concessionárias que operam o sistema de transporte público de Porto Alegre - foi pedido o ressarcimento de R$ 5 milhões pelos 33 dias em que o valor permaneceu sem reajuste.