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Editoras apostam no sucesso dos livros interativos

Editoras apostam no sucesso dos livros interativos

Editoras apostam no sucesso dos livros interativos

Enquanto muitos leitores guardam seus livros com zelo e sequer os sublinham a lápis, um público crescente gosta mesmo é de pintar, molhar, golpear e até mesmo fazer rolar ladeira abaixo suas obras preferidas. Os livros interativos, que convidam o leitor a fazer tarefas e completá-los, têm ganhado espaço nas livrarias ao proporcionar experiências que não podem ser reproduzidas no meio digital.

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Apesar da recente onda de livros de colorir para adultos, catapultada pelo sucesso O Jardim Secreto, publicado no ano passado pela Sextante, os livros interativos já haviam começado a circular com maior força no Brasil em 2013, após o lançamento do best-seller Destrua Este Diário. Criado pela ilustradora canadense Keri Smith, o sucesso infantojuvenil foi publicado originalmente em 2007 e alcançou a lista de mais vendidos propondo ao seu dono tarefas como derrubá-lo de um lugar alto, arranhá-lo com objetos afiados, levá-lo para o banho e até mesmo cuspir café sobre suas páginas. Para a autora, as ações deixam os jovens mais criativos:

— A criatividade é destrutiva, pois você pega um material e transforma em outro — afirmou em entrevista de divulgação para o site da Penguin, sua editora nos EUA. — Meu papel como artista é ajudar as pessoas a fazerem coisas fora dos padrões — completou.

O êxito de Destrua Este Diário abriu caminho para que a Intrínseca também publicasse outros títulos da autora no Brasil, como Termine Este Livro e o recente Isto Não É um Livro – juntos, os três já venderam 750 mil exemplares. Além disso, mais obras que promovem a interação com o leitor também ganharam tradução no país, como Eu + Você = Nós (2014, Benvirá), de Lisa Currie, Listografia: Sua Vida em Listas (2014, Intrínseca), de Lisa Nola e Nathanael Russel, e Uma Página de Cada Vez (2014, Paralela), de Adam J. Kurtz.

Mas nem só de traduções vive este mercado. Criado por dois gaúchos, a escritora Sandra Fayet e o ilustrador Zambi, Decore Este Diário (Avec) está chegando agora às livrarias como uma opção nacional em um mercado dominado por autores estrangeiros. O livro convida leitoras a desenhar, escrever e fazer outras ações a partir de frases como "Cole a embalagem do seu chocolate predileto", "Liste suas brincadeiras favoritas" e "Borrife aqui seu perfume favorito".

— É um livro para, depois de preenchido, ser guardado para ser olhado de vez em quando e se recordar do que pensava e de como era naquele momento da vida, o que mudou e o que continua igual — propõe a autora.

Para Zambi, títulos como Decore Este Diário demonstram a longevidade do livro em papel:

— O livro interativo tem um potencial enorme, justamente por causa da era digital. Nessa realidade em que todos já nascem com tecnologia caindo em seus colos, o interativo convencional se torna a novidade.

Lucas Telles, editor de aquisições da Intrínseca, aposta na boa convivência entre tecnologia e papel:

— Livros e aplicativos oferecem possibilidades diferentes de interação que não são excludentes. O sucesso dos livros escritos por bloggers e vloggers e o grande número de jovens presentes em eventos literários indicam que o analógico e o digital são muitas vezes complementares.

Os livros interativos não podem ser convertidos em e-books da mesma forma que títulos mais tradicionais (você derramaria café no seu tablet?). Isso não quer dizer que essas publicações deixem de tirar proveito da internet. As redes sociais são espaços onde as obras ganham divulgação espontânea do fãs. No YouTube, há centenas de vídeos em que a edição brasileira de Destrua Este Diário é molestada de diferentes formas, sendo que 17 destas gravações superam as 100 mil visualizações.

O movimento não passou longe dos olhos dos editores.

– Adoramos esse retorno espontâneo e logo no lançamento de Destrua Este Diário, publicado no final de 2013, fizemos e estimulamos essa interação e divulgação por meio do primeiro mural coletivo dentro do site da editora – conta Heloiza Daou, gerente de marketing da editora Intrínseca.
 
DECORE ESTE DIÁRIO
De Sandra Fayet e Zambi
Uma rara alternativa nacional no mercado dos livros interativos, Decore Este Diário (Avec, 104 páginas, R$ 29,90) foi recém-lançado pela editora gaúcha Avec e mira o público feminino. Com perguntas como "Qual foi o dia mais importante da sua vida?" e frases propositivas como "Invente um uniforme novo para sua escola", o volume pretende fazer crianças e adolescentes se divertirem ao mesmo tempo em que refletem sobre a vida. Quando estiver completo, o livro pode ser guardado como uma recordação que reúne opiniões e gostos de uma importante fase da vida.
 
ISTO NÃO É UM LIVRO
De Keri Smith
Este é o terceiro livro da ilustradora canadense Keri Smith publicado no Brasil depois do best-seller Destrua Este Diário (2013) e de Termine Este Livro (2014). Isto Não É um Livro (Intrínseca, 221 páginas, R$ 29,90) tem a pretensão de estimular a imaginação do leitor com desenhos e frases que começam com "Isto é...". As páginas propõem missões curiosas como "Isto é um espaço vazio. Pense em nada. Em quantos exemplos de nada você consegue pensar? Desenhe nada aqui" ou então convidam o leitor a ações como segurar o livro sobre a cabeça por tempo indeterminado