Em 2012, quando fazia seu projeto de pós-doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o economista gaúcho Flavio Comim se encantou com um método de ensino de matemática que parecia fazer mágica: os alunos adoravam aprender. Sua filha de cinco anos voltava da aula entusiasmada: cantarolava a tabuada de 10, enumerava os objetos da casa e desafiava os pais com problemas de lógica.
— Eu e minha esposa nos surpreendemos com o prazer que ela estava tendo em aprender. Quisemos descobrir o que havia de especial naquele método — lembra Comim.
A pesquisa os levou a O Círculo da Matemática, um programa aplicado a turmas de crianças em algumas escolas nos EUA com objetivo de despertar o gosto por essa disciplina. Quando voltaram ao Brasil, Comim e a esposa, Angels Varea, estavam determinados a propagar a fórmula. Nascia em 2013 o Círculo da Matemática do Brasil, do qual ambos são cofundadores, e que é realizado pelo Instituto TIM.
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O método envolve atividades com grupos de até 10 crianças, em um encontro por semana. Elas trabalham juntas para resolver charadas que envolvam matemática e enquanto pensam acabam descobrindo os alicerces da disciplina. Em um dos exercícios, os estudantes enxergam o desenho de uma bailarina preparando passos em uma linha reta. Conforme a moça dança, professor e alunos contam os passos, descobrem frações e números negativos, nos passos para trás.
— A proposta é ser lúdico, envolver sons, movimentos e cores. Trabalhando em grupo, as crianças aprendem a cooperar para resolver problemas e não sentem o “peso” do erro — explica Comim, que foi economista sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e hoje é professor associado da UFRGS e professor convidado da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
O método tenta pescar a atenção de alunos logo no início da formação escolar. É fundamental familiarizá-las: além de terem mais facilidade em absorver conhecimento, mentes jovens ainda não foram “contaminadas” pela amedrontadora reputação que a matemática cultivou na sociedade.
A pesquisa Aprendizagem Matemática e a Relação entre Formação Docente, Práticas Metodológicas e Matofobia (aversão à matemática), de Vera Lucia Felicetti e Lucia Maria Martins Giraffa, realizada em 62 escolas estaduais da Capital, mostrou que, em 47% delas, a matemática é a disciplina com maior índice de reprovação. Na edição de 2014 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os estudantes brasileiros obtiveram 391 pontos na disciplina, abaixo da média global de 494.
— Existe uma resistência alimentada pela própria escola, com métodos inadequados, e pela sociedade, que se acostumou a dizer que é uma disciplina chata e difícil. O que queremos é mostrar que o aprendizado da matemática, além de ser fundamental para o desenvolvimento humano, pode ser prazeroso — explica Comim.
Anualmente, o Círculo faz audiências com educadores e autoridades na área da educação, que discutem formas de estimular o interesse pelos números e a aplicação da abordagem nas escolas. Em Porto Alegre, o evento ocorre entre os dias 6 e 10 de junho, no Hotel Everest — no dia 9, às 17h, quando irão participar alguns dos idealizadores mundiais do Círculo, o evento será aberto ao público.
No ano passado, foram treinados 8 mil estudantes de Ensino Médio em 10 cidades brasileiras. Neste ano, o número deve ser menor, chegará a 5 mil estudantes – o Círculo dedicará parte de seus esforços em formar professores para propagar o método. As aulas e o material didático são gratuitos.
Serviço
Audiência pública de O Círculo da Matemática
Amanhã, às 17h, no Hotel Everest, em Porto Alegre
Inscrições gratuitas pelo e-mail ocirculodamatematica@gmail.com
