Prefeitura derruba prazos, mas garante metrô de Porto Alegre
Crise financeira está dificultando avanços no projeto

A prefeitura decidiu abandonar o cronograma e não está mais trabalhando com prazos para o início das obras e da operação do metrô de Porto Alegre. Neste momento, um dos principais entraves da construção do sistema na Capital é econômico, já que tanto o Estado quanto a União estão passando por uma crise nas finanças.
Mas apesar das dificuldades, o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt, garante que o metrô vai sair do papel.
Em entrevista ao Gaúcha Repórter desta quinta-feira (12), Schmitt afirmou que o projeto já está concluído, com o modelo e o tipo de operação definidas, que estão sendo acompanhados através da consultoria da empresa Metros Ligeros de Madrid S.A., que também é responsável pela operação do metrô da capital espanhola.
“Nós não estamos estabelecendo prazos, porque está fora da nossa governança. Até há pouco, nós trabalhávamos com a disponibilidade de recursos. Mas hoje, nós não estamos trabalhando com um prazo de lançamento de edital. A prefeitura vai terminar o projeto, vai deixar o projeto pronto, adequado. A parte dos recursos da prefeitura está garantida e agora aguardamos os parceiros, quando eles sinalizarem efetivamente que possamos avançar, que se possa, então, avançar”, disse Urbano.
De acordo com o cronograma inicial, a previsão era que o edital de licitação da Parceria Público-Privada (PPP) da construção do metrô fosse lançado em 2016. Além da elaboração da concorrência pública, o projeto necessita de licenças ambientais e municipais. Somente após todas essas etapas as obras começariam, com duração de cinco anos.
A implantação do metrô na Capital vem sendo discutida desde 2011, quando o projeto foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Valores
A participação financeira do governo gaúcho na construção do metrô ainda segue em aberto. O governo federal vai repassar, a fundo perdido (sem devolução), R$ 1,77 bilhão. Já a prefeitura ingressará com R$ 690 milhões.
Cabe ao Estado financiar R$ 1,08 bilhão. O total de investimento público é de R$ 3,54 bilhões. O restante será pago pela iniciativa privada, que poderá explorar o serviço por mais 25 anos.
Por meio de nota, o governo do Estado afirma que “está em contato permanente com a prefeitura e a União para atuar em conjunto no projeto do metrô. No momento, é reconhecido que as três instâncias enfrentam dificuldades econômicas para viabilizar o projeto."
Projeto
O modelo mínimo do metrô prevê a ligação entre o Centro Histórico e a Fiergs, na zona norte. Do centro ao Terminal Triângulo, o modelo de construção planejado é o Shield, que é subterrâneo e não necessita de alterações no trânsito. Já do Terminal Triângulo até a Fiergs, a via passa a ser elevada.
Outras obras em Porto Alegre
O secretário Urbano Schmitt também atualizou o cronograma de outras obras que estão em andamento em Porto Alegre. As que apresentam as maiores dificuldades são a duplicação da Avenida Tronco e a passagem de nível da Avenida Plínio Brasil Milano, por causa de entraves no reassentamento de famílias e problemas jurídicos. Para as duas, ainda não há uma data estipulada para conclusão.
Já a passagem de nível da Avenida Ceará, o prolongamento da Avenida Severo Dullius e a duplicação da Voluntários da Pátria - entre a rua Conceição e a Ramiro Barcelos - devem ficar prontas e entregues à população até o final de 2016.
Para o primeiro semestre do ano que vem, está prevista a conclusão das obras na Rua Anita Garibaldi, Avenida Cristóvão Colombo e a conclusão total do Viaduto São Jorge, na Avenida Bento Gonçalves.
Em relação às reformas dos corredores de ônibus, o cronograma prevê a conclusão para março de 2016 dos BRTs das Avenidas Bento Gonçalves e Protásio Alves. Para a Avenida João Pessoa, o término das obras deve acontecer no decorrer do ano que vem.